Julia Moraes – Estagiária Assessoria de Comunicação UEMG Passos 

No dia 14/08, às 19h15, no Bloco 1 da UEMG, o Centro Acadêmico de História Dandara dos Palmares, em parceria com o Laboratório de Humanidades, promoveu uma palestra para abordar o tema  “O negacionismo da História e seus desdobramentos no discurso político”.

O evento contou com a presença de dois docentes, o Professor Mestre da Universidade do Estado de Minas Gerais Adelino Franklin e a Professora Doutora do Instituto Federal do Sul de Minas Mariana Teixeira.

O presidente do C.A Dandara dos Palmares e aluno do 4º período de História, Rafael Matheus de Jesus da Silva, conta que, em tempos onde há questionamentos sobre a veracidade de fatos históricos importantíssimos como o Holocausto e a Ditadura Militar, é fundamental que estudantes do curso de História tenham uma visão mais ampla, de forma a iniciarem uma reflexão sobre as consequências do negacionismo na democracia atual. Portanto, este é um assunto com necessidade absoluta de debate.

“Devido aos últimos acontecimentos a cerca das manifestações de estudantes em prol da educação, convidamos o laboratório de Humanidades do IFSULDEMINAS, campus Passos, para discutirmos o cenário político atual, tanto nacional como internacional, quanto ao tema”, complementa o presidente do C.A de História.

O professor Adelino, que também atua como coordenador do curso de Pedagogia da UEMG Passos, relatou que dividiu a fala com a professora Mariana:  “Inicialmente, eu apresentei as distinções entre o senso comum e o conhecimento científico. Posteriormente, abordei a trajetória de um pesquisador na área de História, e de que maneira ele adquire o reconhecimento entre os seus pares. Apontei as diferentes escolas historiográficas, as diferentes abordagens no campo da História e de que forma os historiadores se apropriam delas para interpretar e analisar as fontes históricas. Por fim, considerando a História como uma ciência, com método rigoroso de pesquisa, deixei como reflexão para eles sobre os riscos de se negligenciar o conhecimento produzido por um profissional especialista na área, no caso, o historiador, em detrimento de falas ou textos sem fundamentação científica, que negam fatos históricos relevantes para a compreensão da sociedade ou mundo em que vivemos”.

O auditório lotou, com alunos dos cursos de História, Jornalismo e Direito, além de docentes de outros cursos, o que demonstrou um grande interesse na discussão do assunto. “Ao final das falas da professora Mariana e minha, foi aberto um momento para perguntas. Foram muitos os comentários, questionamentos, que enriqueceram a palestra”, pontua Adelino.

 É de extrema relevância para refletirmos sobre nossa situação política atual. Quase sempre focamos nos problemas do Brasil e nos esquecemos de pensar no contexto internacional. A Internet e suas possibilidades de interação a partir das redes sociais alteraram profundamente a relação das pessoas com o exercício da política, modificando nossa cultura política. As redes sociais, com suas possibilidades de coletas de dados através de algoritmos e hashtags fez com que as empresas de marketing político conseguissem manipular esses dados através da produção de conteúdo focado no eleitorado indeciso. Este mecanismo tem influenciado indiretamente as eleições em diversos países pelo mundo, colocando em risco a democracia”, afirmou Mariana Teixeira.