A obesidade infantil e o combate ao sedentarismo foram discutidos durante a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT), na qual foram promovidas atividades de divulgação, difusão e apropriação social de conhecimentos científicos e tecnológicos em todo o país, sendo realizada em Passos por meio dos eventos que integraram o FESP Inova. “Ciência, Saúde e Esporte” foi o foco dos trabalhos envolvidos na campanha de 2013 no Centro de Ciências da FESP. Alunos do ensino Fundamental e Médio puderam conhecer e trocar informações sobre os assuntos relacionados.

Segundo dados de pesquisa recente da Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico), no Brasil, 51% da população tem excesso de peso e esta é a primeira vez que o número atinge mais da metade da população. O índice de obesidade também cresceu em relação aos anos anteriores. A pesquisa aponta que 17,4% dos brasileiros são obesos.

Leandro Pereira de Moura, professor do curso de Educação Física da FESP, pós-graduado em Ciências da motricidade pela UNESP de Rio Claro e doutorando na mesma área e instituição - em parceria com a faculdade de Medicina de Harvard – ministrou palestra sobre obesidade infantil em ocasião do FESP Inova, trazendo dados preocupantes. De acordo com o professor, desde 1972, a cada 10 anos o número de obesos no Brasil dobra. “Nos Estados Unidos, mais de 30% da população é obesa. No Brasil, hoje, temos de 15 a 20% da população obesa. Se formos analisar dados anteriores, de 1970 e 1980, com este crescimento quase que exponencial da obesidade, creio que em pouco tempo a gente alcança os USA. Lembrando que obesidade é o excesso de tecido adiposo que pode trazer, como conseqüência, alguma doença. Somente o acúmulo de tecido adiposo sem o desenvolvimento de alguma doença é considerado sobrepeso. Automaticamente, quando esse acúmulo de gordura é grande, ele vai trazer consigo alguma doença, neste caso é considerado patologia”, afirma.

Até meados do último século, metade das mortes eram causadas por doenças infecciosas, hoje estas são responsáveis apenas por 5% dos óbitos. Por outro lado, as doenças crônicas — causadas principalmente pelo estilo de vida inadequado — foram o motivo de 49% dos 35 milhões de falecimentos em 2005, segundo a OMS. A previsão é de que as doenças crônicas respondam por 70% do total de mortes até 2030.

Atualmente a obesidade está sendo vista como uma doença crônica caracterizada pelo excesso de gordura no organismo com desproporção na distribuição desta gordura pelo corpo. Quase todos os países sofrem dessa epidemia, inclusive o Brasil, e a rotina agrava o problema da saúde infantil. Alimentos ricos em açúcar e gordura passaram a fazer parte do cardápio das crianças e as atividades físicas, como andar a pé ou brincar na rua, deixaram de ser hábitos, sendo substituídos por televisão, videogame, computador e comodismos da vida moderna. 

A conseqüência desse novo cenário é verificada em estatísticas que reforçam o conceito de epidemia da obesidade. Em 2009, uma em cada três crianças de 5 a 9 anos estava acima do peso adequado recomendado pela OMS. Os resultados são da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2008-2009, realizada pelo IBGE em parceria com o Ministério da Saúde, que aponta o fácil acesso a alimentos como biscoitos recheados, salgadinhos, refrigerante e fast-food como a principal causa dessa epidemia.

Alternativas de combate à obesidade infantil

No sentido de estimular a alimentação saudável nas escolas foi sancionada a Lei nº 15.072, de 5 de abril de 2004, que dispõe sobre a promoção da educação alimentar e nutricional nas escolas públicas e privadas do sistema estadual de ensino, proibindo a venda de alimentos gordurosos e produzidos com gordura saturada e trans. Em entrevista, o professor Leandro de Moura defendeu a conscientização dos pais no intuito de mudar os rumos indicados. “Uma proposta muito importante é a cultura, a conscientização de pais e mães. Hoje em dia, grande parte da população obesa não sabe o que é um carboidrato, não sabe o que é um açúcar, não sabe os malefícios que isso vem trazer para a saúde. Acredito que a conscientização é o primeiro caminho. Mudanças nos alimentos oferecidos nas lanchonetes escolares também são muito importantes! Se temos uma nutricionista dentro da cantina escolar é uma segurança de que as crianças vão ter uma boa educação alimentar. O exercício físico também é um alicerce muito forte na manutenção da saúde destas crianças. Criança sedentária não é criança saudável”.

Ainda segundo o professor doutorando, o sedentarismo é um problema que pode ser adquirido por hábitos familiares e também é um sintoma da nova geração eletrônica. A influência do ambiente e da cultura do comodismo colaboram para que a criança se torne sedentária. “A gente tem uma ferramenta muito importante na nossa mão que é o exercício físico. Então a gente consegue atuar sim a modo de minimizar esse crescimento do sedentarismo infantil. Quando se trata de criança, a gente não pode sair falando o que é saúde e o que não é saúde, a criança não entende. O que a gente tem que procurar é, com meios de brincadeira, com meios de lazer, tentar fazer essa criança a se exercitar mais. Um bom exemplo que a gente tem nos dias de hoje, que eu acho fantástico, foi a criação daquele Nintendo Wii, aquele Kinect, por exemplo, que é um videogame que tira a criança do sedentarismo, já deixa a inércia”, comentou a alternativa.

Aprendizado, diversão e saúde

“Nós estávamos dançando. A gente gosta de dançar e ainda perdemos calorias. O movimento passa na TV, a gente repete e quem perde mais calorias ganha. A gente emagrece e é bom para a saúde”, disse Brenda Tomás, estudante da Escola Estadual Nazle Jabur, uma das integrantes do grupo que expôs trabalho no Centro de Ciências da FESP durante a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia.

A aluna se referia à atividade proposta por um grupo de professores da Escola onde, através do sensor de movimento, acoplado ao videogame, utiliza-se um jogo que ensina a dançar e computa as calorias perdidas de acordo com a coreografia mostrada na televisão. “É um campeonato que ganha quem perde mais calorias, então começa com o aquecimento, depois tem a dança propriamente dita, e no final tem o alongamento. Depois disso é computado o número de calorias perdidas em cada modalidade. Então nós vamos, no final do dia, verificar quem perdeu mais calorias, individualmente e em grupo. A competição é uma forma de disputa sadia, além de ser uma forma de usar o videogame para combater a vida sedentária. É uma prática muito interessante, que a gente pode fazer em casa, proporcionando saúde e muita descontração”, explica Geilton Xavier de Matos, um dos responsáveis pelo projeto apresentado, desenvolvido em parceria com a professora de Biologia da Escola, e com a professora de Educação Física. “Para os alunos essa atividade tem sido algo tremendo na escola. Conseguimos movimentar a todos numa quadra para que eles pudessem participar. Isso faz com que o aluno possa extrapolar porque eles gostam muito do videogame. Poder usar a tecnologia a favor do movimento humano foi espetacular. Eles estão amando”, relata Luciamar Cristina da Silva. Geilton ainda complementa: nós estamos fazendo uma interdisciplinaridade frente a estes alunos que abraçaram a nossa idéia e é uma satisfação imensa estar aqui participando mais uma vez.

Para a responsável do Centro de Ciências da FESP, professora Sônia Zampieron, não só a proposta da Semana de Ciência e Tecnologia, quanto o próprio espaço da Fundação, servem como uma oportunidade de aprendizado e exposição do conhecimento apreendido em sala de aula. “O Centro de Ciências funciona como uma vitrine. Aquilo que é produzido na escola e fica simplesmente dentro dos muros, aqui pode ser visto pelos colegas de outras escolas. É uma forma de elevar a auto-estima delas e com certeza dar mais visibilidade pro trabalho que às vezes demoraram um ano pra confeccionar. Então sem dúvida o ganho de estar dentro do centro de ciências é muito grande”, conta.

A Semana de Ciência e Tecnologia aconteceu em todo o Brasil de 21 até 15 de Outubro, mesmo período o qual aconteceu o FESP Inova.

O Centro de Ciências da FESP está disponível para visitação monitorada. Agendamento pelo número (35) 3526-9598.

FONTE: Departamento de Comunicação e Marketing FESP/UEMG