Um projeto da Fundação de Ensino Superior de Passos (FESP/UEMG) foi aprovado em primeiro lugar pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG) e une Pesquisa e Extensão em um estudo sobre a influência da educação na qualidade de vida em idosos. O estudo será desenvolvido na Universidade Aberta para a Maturidade (UNABEM) por uma equipe multidisciplinar.

Intitulado: “Em busca da qualidade de vida para idosos: uma vivência na Universidade Aberta para a Maturidade - UNABEM”, o projeto vai receber recursos da ordem de R$ 36 mil. Participaram da concorrência 466 projetos e apenas 65 foram aprovados em uma lista com projetos das mais renomadas universidades estaduais e federais de Minas Gerais, entre elas: a Universidade Federal de Minas Gerais, Federal do Triângulo Mineiro, Federal de Ouro Preto, Viçosa, São João Del Rey, Universidade Federal de Juiz de Fora, Universidade do Estado de Minas Gerais, Universidade Estadual de Montes Claros e várias outras. “Esta aprovação em 1º Lugar é uma grande conquista para a FESP porque todos nós, professores e funcionários, estamos constantemente engajados na luta pela excelência em ensino, pesquisa e extensão, com a responsabilidade constante de transformar o conhecimento acadêmico em qualidade de vida para a população”, comemora o presidente do Conselho Curador da FESP, professor Fabio Pimenta Esper Kallas.

O grupo de trabalho é coordenado pela professora Nilzemar Ribeiro de Souza. Esta é uma proposta de extensão em interface com a pesquisa, que será realizada nos próximos dois anos. O estudo será feito entre os estudantes da UNABEM, onde serão desenvolvidas ações educativas em diversas áreas.

A coordenadora é docente da disciplina “Saúde do Idoso”, do curso de Enfermagem da FESP há 18 anos e de todos os módulos de pós-gradução que envolve o tema. Além disso, possui uma vasta experiência em pesquisa sobre idosos, com 23 projetos financiados pela FAPEMIG, pesquisa-FESP, pesquisa-UEMG, PAPq-pesquisa e PAEx-extensão nas temáticas:  Perfil da população idosa que procura o centro de referência em DST/AIDS em Passos/MG;   A busca pelo cuidar humanizado: percepções de idosos e cuidadores de uma instituição de longa permanência da cidade de Passos/MG; Assistência integral à saúde do idoso: avaliando o desenvolvimento de ações de educação em saúde em uma Unidade de Saúde da Família na cidade de Passos-MG;  A relação entre o autocuidado e as complicações da hipertensão arterial no idoso e muitos outros.

Em suas investigações científicas, a pesquisadora Nilzemar Ribeiro identificou a influência positiva de ações de educação em saúde, como as desenvolvidas no projeto UNABEM, mostrando que podem ser uma importante ferramenta de melhora da qualidade de vida entre idosos, sobretudo no que diz respeito a mudanças de hábitos.  A prática de atividades físicas, por exemplo, aumentou de 61,44% para 80,63%. “Isso mostra a influência das aulas que a UNABEM oferece gratuitamente”, ressalta a pesquisadora.

“O exercício físico promove a melhora na capacidade e na aptidão física. O aumento do nível de atividade física habitual promove a melhora da capacidade funcional, regulação da pressão arterial, redução do risco de doenças cardiovasculares, diabetes, osteoporose e certos tipos de câncer. Ainda são observados benefícios psicossociais que são o alívio da depressão, o aumento da autoconfiança e a melhora da autoestima”, observa a coordenadora do curso de Educação Física, professora Claudia Arouca, que integra a equipe executora do projeto aprovado pela FAPEMIG.  

A equipe envolve também as professoras Evânia Nascimento, Vivian Freitas Silveira, Saula Chaud, Andréia Liporoni, Ana Paula Coelho, Marisa Lemos, Magaly Melo, Leila Pádua, Sílvia Maia e Nádia Peixoto que farão atividades educativas nas áreas de Psicologia, Educação Física, Enfermagem, Direito, Fisioterapia, Nutrição e Serviço Social. “O profissional de uma única área não dá conta de resolver todas as questões do envelhecimento no sentido de dar mais anos de vida com qualidade”, avalia a coordenadora Nilzemar Ribeiro.

Durante a pesquisa, o grupo vai desenvolver programação específica, com intervenções multiprofissional e interdisciplinar nos idosos, através da Educação, permitindo que sejam sujeitos e agentes de sua promoção biopsicossocial. A programação será feita de acordo com a escolha dos próprios idosos. Segundo a coordenadora do projeto, não existe no país programa gratuito neste modelo.

Envelhecimento

De acordo com o IBGE, a perspectiva de crescimento da população acima de 60 anos colocará o Brasil, dentro de 25 anos, como a 6ª maior população de idosos no mundo em números absolutos. Atualmente, conta-se com o número de 16 milhões de indivíduos com 60 anos ou mais, que passará a ser de 32 milhões em 2025, que representará 15% de nossa população total.

Para a diretora do Núcleo Acadêmico de Ciências Biomédicas e da Saúde, da FESP, professora Tânia Maria Delfraro Carmo, a aprovação confirma a vocação da FESP em preparar os estudantes para as demandas da comunidade. “A FESP é pioneira em pesquisa e em prestação de serviços para a saúde do idoso na nossa região há quase uma década. Esta aprovação pela FAPEMIG é mais um incentivo à proposta de melhorar a qualidade de vida da população através do conhecimento. Nossos estudantes possuem o diferencial de conhecer na prática a realidade”, avalia. A FESP também foi contemplada com duas bolsas de iniciação científica para estudantes que vão participar do projeto.

Resultados esperados

De acordo com a coordenadora, são esperadas ao fim do estudo pelo menos três participações em congressos nacionais e internacionais, dois artigos científicos publicados em revista indexada nacional e internacional, três artigos publicados em anais de congressos. “Vamos participar à comunidade acadêmica quais os caminhos a serem percorridos por uma equipe multidisciplinar para melhor adesão de idosos em atividades de universidades da terceira idade e consequentemente melhora na qualidade de vida”, ressalta a coordenadora da pesquisa.

Para ela, o fator mais relevante do projeto é poder atender demandas como o acolhimento oferecido ao idoso, no sentido de oferecer um serviço humanizado, em que o profissional escuta com atenção o idoso. “Outro fator importante é que o projeto proporciona autonomia e independência. Será dada ao idoso a oportunidade de decisão, de escolha, de se autocuidar. Isto trará uma repercussão muito grande na vida dele, na família, na sociedade e nos gastos que o envelhecimento proporciona a um país em desenvolvimento, com pouquíssimas condições de ofertas a este seguimento”, ressalta.

FONTE: Departamento de Comunicação e Marketing FESP/UEMG