Júlia Palhardi – Redação Agência Escola

A educação empreendedora aplicada na rede municipal de ensino pela Prefeitura de Passos foi tema de um seminário do mestrado em Desenvolvimento Regional e Meio Ambiente, da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG), na terça-feira, 13 de agosto. As mestrandas Olga Bastos e Márcia Sulmonetti, sob orientação do professor e diretor Itamar Faria, debateram a importância da educação empreendedora na formação de jovens e crianças.

Segundo nos diz a mestranda Bastos, é valido enfatizar que o empreendedorismo acontece em outros espaços além das organizações empresarias. “O intuito do nosso trabalho é elucidar o que de fato acontece nas escolas municipais e apresentar a inovação empreendedora do serviço público na educação, lugares onde geralmente não são considerados fator de transformação”, pontuou.

            Além de profissionais da educação municipal, a ocasião contou com a presença do prefeito, Carlos Renato Lima Reis, vencedor do prêmio Prefeito Empreendedor na categoria Empreendedorismo nas Escolas, etapa estadual, com o projeto intitulado Programa Jovens Empreendedores Primeiros Passos. “Acredito que a educação é o carro chefe para a formação das nossas crianças, e trabalhar o empreendedorismo as incentiva no crescimento e desenvolvimento, principalmente quando atrelado à família, que é a principal parceira para a conquista de tantos resultados positivos. Agradeço e parabenizo as mestrandas Olga Bastos e Márcia Sulmonetti pela valorização e visibilidade desse trabalho que tem rendido grandes frutos para o município de Passos”, finalizou o gestor municipal.



 

Em 1970, surgia o Projeto Rondon, uma atividade de extensão universitária que, desde sua concepção, pretendia levar conhecimento e ajuda a áreas mais frágeis e expandir as fronteiras físicas e do pensamento para discentes e para as Universidades. Inicialmente, foi coordenado pelo Ministério da Defesa e realizado em parceria com instituições de Ensino Superior e prefeituras municipais.

Em sua primeira etapa, possuía enfoque na área de saúde. Em 1985, o ex-presidente do Brasil, José Sarney, o extinguiu, mas, em 2005, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva o retomou, desta feita abrangendo os oito eixos da política nacional de extensão.

Dessa forma, esse projeto continua com o Ministério da Defesa em parceria com as prefeituras municipais e Universidades, que montam equipes compostas por alunos, para que eles possam desenvolver ações de capacitação e formação multiplicadores nos seguintes eixos, divididos entre conjunto A e conjunto B:

 

CONJUNTO A

CONJUNTO B

Cultura

Comunicação

Direitos Humanos e Justiça

Meio Ambiente

Educação

Trabalho

Saúde

Tecnologia e Produção

Há um processo para a montagem do projeto Rondon e ele se dá da seguinte forma: um edital é publicado pelo Ministério da Defesa, para que ocorra a seleção das Universidades participantes. Nesta etapa, as propostas são enviadas com um plano de trabalho que abranja alguns dos eixos. Caso a instituição seja lecionada, monta-se uma equipe com oitos alunos e dois professores que, por sua vez, desenvolverão atividades junto às comunidades carentes de municípios previamente selecionados pelo Ministério da Defesa.

Todo semestre há uma convocação e as operações acontecem em julho e janeiro. Desde 2005, quando o Rondon foi retomado pelo ex-presidente Lula e passou por uma reformulação, a UEMG Unidade Passos participa do Projeto.  No ano de 2019, a equipe selecionada viajou para a cidade de Novo Oriente do Piauí, no Piauí.

Ser “rondonista”: como esta experiência única muda as pessoas

A Universidade do Estado de Minas Gerais participa constantemente do Rondon e, por isso, vários alunos tornaram-se “rondonistas” durante sua jornada acadêmica. No entanto, ser parte deste projeto não muda somente a vida acadêmica nem possui impacto apenas na jornada profissional. Há impactos que vão muito além: a mentalidade dos participantes sofre uma reviravolta devido ao choque com uma realidade totalmente diferente da sua.

O diretor acadêmico da UEMG Passos, Itamar de Faria, afirma que o Rondon é quase como um “estágio intensivo”.  “O discente sai da sua zona de conforto e vive intensamente, durante cerca de quinze dias, a realidade destes municípios. Isso provoca uma alteração na visão de mundo, na percepção da realidade, e isto é fundamental na vida da pessoa, todo mundo que participa do projeto Rondon volta transformado”, pontua.

Itamar ainda acrescenta que, como projeto de extensão, ele ainda cumpre a missão básica da Universidade, de disseminar conhecimentos e torná-los acessíveis à comunidade. “Para formação dos nossos alunos e também para a formação continuada dos nossos professores, é uma ocasião muito especial,  porque leva a um maior conhecimento da realidade do país, que é essa reflexão permanente sobre formas de intervenção, de como podemos contribuir para a transformação da realidade triste em que ainda vive grande parte do Brasil”, relata.

A essência do Rondon

A aluna do 10º

 período do curso de Direito, Lauriane Rezende Madeira, foi uma das que se beneficiou com essa experiência transformadora. Ela viajou junto com a equipe para Novo Oriente do Piauí e trabalhou nos eixos de Direitos Humanos e Justiça e Cultura.

“Com certeza aprendi mais do que ensinei nesse projeto, o Rondon me possibilitou um novo olhar e isso realmente é algo impossível de se mensurar. A minha vida pessoal já se transformou e, em consequência, todo o meu direcionamento profissional. Por meio deste projeto, alguns ideais mantiveram-se vivos dentro de mim e adquiri uma certeza: gosto de gente, do povo brasileiro e é trabalhando desta forma que quero seguir minha vida. A prática de trabalhar em prol ao coletivo é possível sempre, o projeto é transformação e sou grata por ter participado!”, entusiasmada após a viagem e extremamente grata por todo o aprendizado que pôde disseminar e, também, receber, Lauriane nos diz em seu empolgado depoimento.

Rodrigo Amadeu, aluno do 8º período Comunicação Social – Habilitação em Publicidade e Propaganda, trabalhou, junto à Lauriane, no eixo de Cultura e mostrou-se muito efusivo com o resultado de todo o trabalho feito: “Minha função foi ligada diretamente a expressões culturais e comunicativas. Foi um trabalho minucioso para se conectar de modo concreto com pessoas que vivem uma realidade completamente diferente da minha, com uma cultura única e em situação de vulnerabilidade social. As oficinas do eixo cultura eram voltadas para a valorização do indivíduo em si e em seu meio, o resgate e preservação de sua identidade como povo, como cultura e como parte de um Brasil tão rico e cheio de diversidade”.

Antes da ida à cidade de Novo Oriente do Piauí, todos os estudantes participantes tinham altas expectativas. Ao final do projeto, é normal que quase todos tenham suprido ou, até mesmo, superado estas expectativas. Rodrigo é mais um desses alunos. “Ao final do trabalho, era nítido que nos transformamos, estávamos vivendo a realidade de pessoas que, mesmo com diferenças gritantes, acabaram iguais a nós. Esta troca não tem preço. Será uma experiência que vou levar para o resto dos meus dias. Acredito que o modo como você enxerga o próximo após uma experiência como o Rondon nunca mais será a mesma. Essa visão humana adquirida permeia todos os âmbitos da vida e o âmbito profissional não seria diferente”, complementa.

Um colega de Rodrigo nesta jornada, o aluno do 8º período de Biomedicina e participante no eixo Saúde, Irlan Bigaton, concorda com a fala do amigo: “O Rondon vai agregar em muito para minha caminhada profissional e também minha vida social, viver esta experiência nos mostra uma outra realidade, algo inimaginável, conhecer pessoas em diversas situações faz você começar a pensar nas coisas que já possui e no que deseja conquistar no futuro”.

Atuante no eixo Educação, a aluna do 6º período de Pedagogia, Fabiana Chinalia Borges, declara que ver a diversidade do nosso país é sempre enriquecedor, aprender como uma mesma ideia ganha desdobramentos diferentes em realidades também diferentes, compartilhar conhecimento, descobrir a riqueza maior que é a pedagogia, conhecer pessoas que te ensinam o tempo todo, sem a consciência do quanto, e poder dizer a elas a riqueza disso tudo e que elas continuem a fazer porque é de fundamental importância para nossa formação. Fico refletindo o quanto, às vezes, pensamos que só encontraríamos a falta e, ao chegar lá, descobri que, na maioria das vezes, a falta está em nós mesmos”.

Para acompanhar as atividades dos discentes e coordenar a equipe, são enviados dois professores. A professora coordenadora tem várias responsabilidades: como contatar os representantes do município em que ocorrerá o projeto e participar da viagem precursora que, neste ano, ocorreu em abril, quando houve um trabalho de divulgação do Rondon no local e realização de acordos necessários para a efetivação dele. Durante as atividades,  foi a professora coordenadora quem deu auxílio à equipe, articulando com os representantes do munícipio em relação a questões de alojamento, alimentação e transporte dos alunos, além de enviar diariamente relatórios ao Ministério da Defesa.

A docente da Universidade do Estado de Minas Gerais, unidade Passos, Sandra de Souza Pereira, teve sua primeira participação como professora coordenadora durante este ano, no entanto, em 2007, ela participou, como aluna, da Operação Centenário.

Como vivenciou os dois lados do Rondon, ela tem uma visão ampla de como o projeto traz reviravoltas. “Tenho certeza que toda a equipe trouxe no coração e na lembrança cada depoimento, o acolhimento e o carinho que recebemos. Penso que os maiores beneficiados dessa experiência foram os nossos alunos, que tiveram a oportunidade de fazer essa imersão num contexto tão distinto do qual vivemos aqui, eles puderam colocar em prática todo o conhecimento acadêmico adquirido. Eu me senti duplamente realizada, primeiro pela gratidão das pessoas da comunidade e também pela felicidade que eu via no olhar de cada estudante”, conclui a professora.

 

 



Julia Moraes – Estagiária da Assessoria de Comunicação UEMG Passos 

Na noite do dia 16/08, às 19h, no Passos Clube, o Centro Acadêmico de Direito XIII de Fevereiro trouxe, em comemoração aos 25 anos do curso de Direito em Passos, uma palestra do renomado jurista passense, Flávio Tartuce, autor de diversos livros importantes para a área como “Manual de Direito Civil”, “Manual de Direito do Consumidor”, “Manual de Responsalidade Civil”, “O Novo CPC e o Direito Civil”, entre outros.

Com alunos do curso de Direito e profissionais. já formados na área, o espaço ficou lotado para prestigiar o jurista. O C.A XIII de Fevereiro foi o responsável pela organização do evento e o seu presidente, Guilherme Henrique Dias Martins, revelou o porquê da escolha do tema e do palestrante: “A Responsabilidade Civil é um tema pertinente a todos, tanto os profissionais do curso de Direito, quanto da comunidade. É relevante no dia-a-dia de todos, sendo imprescindível conhecer o assunto e discorrer sobre ele. Com um assunto tão amplo e importante, nada melhor que um especialista para falar dele, como é o caso do palestrante”.

No palco, Tartuce afirmou que a organização daquela noite havia começado há tempos, em dezembro de 2018, quando Guilherme entrou em contato com ele e realizou o convite para o dia 16 de agosto. Animado, Flávio prontamente aceitou, principalmente pelo fato de se tratar de uma palestra em sua querida cidade natal, Passos.

Em entrevista, o palestrante declarou que comemorar os 25 anos do curso de Direito da UEMG Passos é algo muito especial, já que acompanha a Universidade há tempos. “Tenho participado de eventos no Brasil inteiro, falado em todas as regiões do país e fico feliz em poder falar na minha casa, que faz tempo que eu não falava. Essa conexão e esses diálogos são importantes para o crescimento de todos, inclusive o meu”.

Um Jubileu de Prata com muita comemoração

O diretor acadêmico da Universidade do Estado de Minas Gerais, Itamar Faria, marcou presença, e aproveitou para ressaltar a importância que o curso de Direito possui. “É um dos nosso cursos mais consolidados, o segundo curso com maior procura nos processos seletivos para ingressante, reopção, transferência e obtenção de novo título. Está com 500 alunos e tem uma taxa de aprovação muito relevante na OAB, está entre os que mais aprovam no exame da OAB. É necessário fazer essas menções e comemorar esse Jubileu de Prata, porque vemos nesse momento que as universidades sofrem esses ataques, e é vital firmarmos o papel essencial que instituições de ensino desempenham e o papel fundamental que o curso de Direito tem na formação de profissionais que vão possibilitar a ministração da justiça, e o nosso curso, bem conceituado que é, merece e precisa comemorar esses 25 anos”, pontua Itamar.

 “É importante a comemoração desta data, pois, dos quatro cursos que há na UEMG, de Direito, o nosso é o mais longevo, é o que está em atividade há mais tempo. E poder comemorar os 25 anos com uma personalidade jurídica da cidade, é extremamente relevante”, a coordenadora do curso de Direito da UEMG Passos, Ana Paula Fátima Coelho, concorda com o diretor e complementa, orgulhosa.

O presidente do C.A, Guilherme, reitera a satisfação em promover esta solenidade: “A gratidão em ter este evento é gigantesca, primeiro porque estamos realizando com a certeza de contribuirmos com a educação de qualidade para os alunos do curso e, segundo, por ter a maravilhosa equipe do Centro Acadêmico de Direito, que trabalha com afinco para esta meta!”.



 

Julia Moraes – Estagiária Assessoria de Comunicação UEMG Passos 

No dia 14/08, às 19h15, no Bloco 1 da UEMG, o Centro Acadêmico de História Dandara dos Palmares, em parceria com o Laboratório de Humanidades, promoveu uma palestra para abordar o tema  “O negacionismo da História e seus desdobramentos no discurso político”.

O evento contou com a presença de dois docentes, o Professor Mestre da Universidade do Estado de Minas Gerais Adelino Franklin e a Professora Doutora do Instituto Federal do Sul de Minas Mariana Teixeira.

O presidente do C.A Dandara dos Palmares e aluno do 4º período de História, Rafael Matheus de Jesus da Silva, conta que, em tempos onde há questionamentos sobre a veracidade de fatos históricos importantíssimos como o Holocausto e a Ditadura Militar, é fundamental que estudantes do curso de História tenham uma visão mais ampla, de forma a iniciarem uma reflexão sobre as consequências do negacionismo na democracia atual. Portanto, este é um assunto com necessidade absoluta de debate.

“Devido aos últimos acontecimentos a cerca das manifestações de estudantes em prol da educação, convidamos o laboratório de Humanidades do IFSULDEMINAS, campus Passos, para discutirmos o cenário político atual, tanto nacional como internacional, quanto ao tema”, complementa o presidente do C.A de História.

O professor Adelino, que também atua como coordenador do curso de Pedagogia da UEMG Passos, relatou que dividiu a fala com a professora Mariana:  “Inicialmente, eu apresentei as distinções entre o senso comum e o conhecimento científico. Posteriormente, abordei a trajetória de um pesquisador na área de História, e de que maneira ele adquire o reconhecimento entre os seus pares. Apontei as diferentes escolas historiográficas, as diferentes abordagens no campo da História e de que forma os historiadores se apropriam delas para interpretar e analisar as fontes históricas. Por fim, considerando a História como uma ciência, com método rigoroso de pesquisa, deixei como reflexão para eles sobre os riscos de se negligenciar o conhecimento produzido por um profissional especialista na área, no caso, o historiador, em detrimento de falas ou textos sem fundamentação científica, que negam fatos históricos relevantes para a compreensão da sociedade ou mundo em que vivemos”.

O auditório lotou, com alunos dos cursos de História, Jornalismo e Direito, além de docentes de outros cursos, o que demonstrou um grande interesse na discussão do assunto. “Ao final das falas da professora Mariana e minha, foi aberto um momento para perguntas. Foram muitos os comentários, questionamentos, que enriqueceram a palestra”, pontua Adelino.

 É de extrema relevância para refletirmos sobre nossa situação política atual. Quase sempre focamos nos problemas do Brasil e nos esquecemos de pensar no contexto internacional. A Internet e suas possibilidades de interação a partir das redes sociais alteraram profundamente a relação das pessoas com o exercício da política, modificando nossa cultura política. As redes sociais, com suas possibilidades de coletas de dados através de algoritmos e hashtags fez com que as empresas de marketing político conseguissem manipular esses dados através da produção de conteúdo focado no eleitorado indeciso. Este mecanismo tem influenciado indiretamente as eleições em diversos países pelo mundo, colocando em risco a democracia”, afirmou Mariana Teixeira.



No dia 20/07, das 08h às 13h, foi realizado, na unidade ESF Escola, o “Sábado Saúde e Prevenção”. A ação contou com atendimento de vários profissionais do Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF), como fisioterapeutas, nutricionistas, agentes comunitários de saúde, enfermeiras, atividades essas que também tiveram a colaboração dos alunos dos cursos de Medicina e Enfermagem, da Universidade do Estado de Minas Gerais.

De modo geral, o evento foi destinado, principalmente, a prestar atendimentos à população cadastrada no ESF Escola, mas também voltado à saúde do trabalhador, que, muitas vezes, não tem tempo para cuidar da saúde. “A atuação na Promoção e Prevenção da Saúde é saber valorizar o ser humano em sua integralidade e contribuir na redução de doenças, portanto é importante atender a população que trabalha e não possui tempo para usufruir dos serviços durante a semana”, ressalta a coordenadora do ESF Escola, Flávia Pimenta do Nascimento.

Os discentes da UEMG Passos dedicaram bastante tempo para educação em saúde, abordando vários temas, tais como hipertensão arterial, diabetes, tuberculose, hanseníase e prevenção ao câncer de mama e colo uterino. Outra atividade disponibilizada para os que compareceram foi a realização de testes rápidos com resultados em 15 minutos, para HIV, hepatite C e B e sífilis. Após o teste, houve aconselhamento e orientações sobre o resultado. Além disso, houve aferição da pressão arterial, glicemia capilar, auriculoterapia, orientações nutricioniais e atendimento, coleta de exame de papanicolau ou preventivo, distribuição de cartilhas para idosos e demais panfletos informativos e distribuição de preservativos.

 “A equipe do ESF Escola possui um papel fundamental na manutenção, prevenção e promoção da saúde. Nosso principal objetivo é prestar assistência de qualidade, para que as pessoas se sintam acolhidas. Dessa forma, proporcionamos um bem-estar para as famílias”, conclui a coordenadora Flávia.



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