A construção do campus unificado da FESP vai envolver uma grande ação social na cidade de Passos com a participação de presidiários condenados que serão capacitados com curso profissionalizante e vão trabalhar no canteiro de obras. O projeto “Educar e Construir” da FESP será lançado nesta segunda-feira à noite, durante a solenidade de lançamento oficial do Projeto de Construção do Campus da FESP. “Mais uma vez a FESP promove um projeto de reinserção social. Estamos otimistas com a parceria com a administração do Presídio de Passos. Ao mesmo tempo em que contribuímos para o problema da falta de mão de obra especializada na construção civil, daremos oportunidade para que esses jovens possam adquirir uma profissão para o futuro”, afirma o presidente do Conselho Curador da FESP, professor Fábio Pimenta Esper Kallas.

A participação do presídio de Passos vai contribuir para a redução da pena dos presos condenados que participarem do projeto. “A cada três dias trabalhados, um a menos na condenação. Esta é uma grande oportunidade porque envolve também a capacitação dos detentos que vão sair com uma profissão”, explica a psicóloga Nágila Medeiros Couto, diretora de Atendimento e Ressocialização do Presídio de Passos.

Para o Diretor Geral do Presídio de Passos, José Vicente de Souza, a ação vai atingir positivamente toda a comunidade. “Com esta proposta de ressocialização pela qualificação, o preso já sai com uma profissão, com um futuro melhor”, avalia.

“Através da Educação e do Trabalho conseguimos contribuir não só com o futuro dos presidiários, mas de toda a nossa sociedade que hoje passa por uma onda de violência e que vai receber este preso depois do cumprimento da pena”, reforça a coordenadora do Núcleo de Ensino e Profissionalização do Presídio de Passos, Kátia Pereira.

Segundo o coordenador do projeto, o engenheiro Ivan Francklin Júnior, a parceria entre FESP, o Governo do Estado, o CREA-MG (Conselho Regional de Engenharia Arquitetura e Agronomia de Minas Gerais), o setor industrial/empreendedor representado pela Construtora CMP e o Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil resultou na elaboração de um projeto para formação e capacitação de mão de obra regional, para fomentar o desenvolvimento do setor no sudoeste mineiro. “O objetivo geral é contribuir para o desenvolvimento regional da indústria da construção civil através da formação e capacitação de profissionais de mão de obra para atuação nas diferentes áreas da construção civil  como: servente de obras, pedreiro, carpinteiro, armador de estruturas de concreto armado, ladrilheiro, pastilheiro, encanador, eletricista de instalação de edifícios de baixa tensão, pintor de obras”, explica.

O curso será dividido em 18 módulos e contempla aulas teóricas, práticas em laboratório da FEP (Faculdade de Engenharia de Passos) e práticas em canteiro de obra. Cada módulo contempla uma apostila que será entregue ao aluno. Além dos conteúdos específicos da construção civil, serão oferecidas também disciplinas de segurança do trabalho, meio ambiente, cidadania, inclusão social e inclusão digital.

Inicialmente o projeto será aplicado aos detentos condenados do presídio de Passos-MG em parceria com a SEDS – Secretaria de Estado de Defesa Social e a funcionários do setor de obras da FESP, posteriormente será aberto para funcionários do setor regional da construção civil, priorizando os funcionários da Construtora CMP. “Não haverá separação entre os presidiários e os funcionários, todos assistirão aulas práticas e teóricas em conjunto, usando, inclusive as mesmas roupas de prevenção a acidentes de trabalho quando já estiverem no canteiro de obras”, afirma o engenheiro Manoel Reginaldo Ferreira, diretor do Núcleo Acadêmico de Tecnologia e Engenharia da FESP, responsável pela construção do campus, ressaltando a importância social da integração da equipe.

Estarão envolvidos neste projeto 14 professores da FESP, além de técnicos e funcionários administrativos e pelo menos cinco estagiários de Engenharia Civil. “Para os alunos será uma grande oportunidade de participar de uma obra histórica para a FESP e para toda a região, eles poderão acompanhar todas as etapas e atividades da produção da edificação, desenvolvendo também o que nós chamamos de diário de obra, um relatório de aproveitamento de cada dia de trabalho. O trabalho no campo é muito importante para o aluno desenvolver a capacidade de interpretar o que é visto na teoria e aplicar na prática”, ressalta o engenheiro Leandro Mendes, professor e coordenador de estágio do curso de Engenharia Civil.

Fonte: Departamento de Comunicação e Marketing