Julio Cesar Machado, professor dos cursos de Letras, Pedagogia e Engenharia Ambiental da FESP, foi aprovado em processo para doutoramento no exterior, no qual lhe foi concedida uma vaga no programa “Sanduíche” pela CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior).

Após ser aprovado, primeiramente, pela sua orientadora, a Drª Marion Carel – considerada referência nos estudos de semântica e argumentação – o professor Julio Cesar Machado também conseguiu aval para o Doutorado no programa de Pós-Graduação em Linguística da Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR) e, por conseguinte, sua pesquisa, já em percurso sob o título “Política Definitória e Ideias Semânticas: um estudo enunciativo sobre o sentido e a definição” será desenvolvida, em parte, no cenário científico de Paris, na França, principalmente na l’École des Hautes Études en Sciences Sociales (EHESS), onde a Drª Marion Carel é Directrice d'études et Professeur d’Argumentation et énonciation dans la langue. 

Os estudos do professor da FESP estão diretamente relacionados à produção de dicionários e sua utilização no Brasil. De acordo com o doutorando pesquisas diversas sugerem que a cada 98 minutos uma nova palavra é criada. “Elas simplesmente nascem às centenas e, nem a academia, nem os lexicógrafos conseguem lidar com isso. Minha pesquisa quer trabalhar este fenômeno da insuficiência das palavras para tratar sentidos que aparecem aos milhões sem palavras suficientes para defini-los e, na contrapartida, a necessidade frustrada de registrar essas palavras na totalidade. O objetivo não é propor limites para o uso da palavra. Trata-se, antes, de assumir certas palavras como pertencentes a nossa língua”, explicou Machado.

Ainda segundo ele, a maioria dos mais conhecidos dicionários corta certas palavras por julgá-las como não “nobres ou éticas”. “Minha trabalho é integrativo nesse sentido: se falamos, se os falantes usam, se pobres e doutores utilizam, então é fala, tem seu sentido e é nossa língua. Defendo, de certa forma, uma ‘democracia semântica’ em detrimento a uma ‘ditadura semântica’ de certos dicionários”, justificou.

Julio Cesar Machado é professor da FESP desde 2010. Além das aulas também se ocupa das pesquisas na CPEX, coordena o “Grupo de Investigações Semânticas e Discursivas da Fesp – GISD”, atualmente tem 6 bolsistas de Iniciação Científica, publicou livro no começo deste ano e organiza a Jornada em Linguistica, realizada pela FESP, em segunda edição no dia 29 de Junho.

Qual a emoção, professor Machado? “Um vaga-lume me fascina, uma formiga me faz escrever um artigo... O que direi da companhia de mentes tão brilhantes? Prometo contar quando estiver de volta. Fico feliz em contribuir com o rigor internacional para a reconhecida qualidade das pesquisas na FESP. Sou imensamente grato ao apoio dos meus colegas de trabalho, especialmente agradeço ao presidente Fabio Kallas e ao diretor Anderson Jacob”, finalizou.

FONTE: Departamento de Comunicação e Marketing FESP/UEMG