Na última sexta-feira (07), os alunos do 1º período de Ciências Biológicas da FESP foram surpreendidos por um professor jovem que entrou na sala, mudou a grade curricular e apresentou a eles uma Ecologia temerosa. A atividade foi proposta pela coordenadora Odila Rigolin de Sá e, há dois anos, a aula trote recepciona os calouros, proporcionando um momento divertido de interação entre novatos e veteranos.

“O objetivo é deixar uma boa impressão e sempre tentar demonstrar o que a biologia significa para cada um de nós. E, claro, sempre é bom fazer uma brincadeira com os calouros. O planejamento, no primeiro instante, é dar um susto neles e tentar deixar as coisas mais difíceis do que são. No fim tudo acaba na brincadeira”, explicou o professor impostor, Douglas de Pádua Andrade, que na verdade é egresso de Ciências Biológicas.

A surpresa foi grande. Douglas chegou cobrando atividades e já indicando bibliografia em língua inglesa. “Inventamos uma aula de Ecologia - que nem existe na grade deles neste semestre - com assuntos mais complexos, que um aluno do primeiro período não teria conhecimento suficiente para entender. Coloquei livros Ecologia e Estatística em inglês, como se eles fossem obrigados a ler e entender para passar na disciplina. Depois pedi que eles escrevessem em uma folha, como um teste, o que eles entendiam sobre Ecologia. A maioria ficou um tanto quanto preocupada e amedrontada”.

Ainda segundo Douglas, a princípio ninguém desconfiou do trote e ele mesmo revelou a brincadeira, terminando a aula com um bate-papo descontraído. “Tentei expressar o que é ser um biólogo e o que esperar desta nova caminhada. Contei histórias, experiências que tive nestes últimos cinco anos. Foi produtivo! Achei muito legal e engraçado fazer isso com eles, pois já fui calouro e sei como um professor pode intimidar”.

Acerca das experiências, Douglas trouxe a novidade da sua aprovação para o mestrado no Programa de Ecologia e Tecnologia Ambiental da Universidade Federal de Alfenas (UNIFAL). O recém-graduado ressaltou que seu interesse pela carreira acadêmica foi despertado e incentivado dentro da FESP. “Quando entrei no curso de Ciências Biológicas em 2009, após ter feito um curso técnico em Meio Ambiente, eu soube o que queria da minha vida, que era me tornar um pesquisador na área de Ecologia de Ecossistemas Aquáticos. Graças à professora Odila, que sempre me deu muito apoio e oportunidades, comecei a trabalhar no laboratório de Hidrobiologia ainda no primeiro período, onde fiquei 4 anos seguintes. Isso me fez ter bastante experiência profissional, além da base de conhecimento teórico para que eu pudesse seguir meu objetivo. Durante todo este tempo, orientado pela Odila, tive uma boa produção acadêmica, o que colaborou muito para eu conseguir ter essa aprovação no mestrado”, justifica.

Douglas desenvolveu 4 projetos de iniciação científica, publicou 5 artigos científicos em periódicos do segmento, 2 capítulos de livro e 35 trabalhos em anais de congressos. Reforçando suas conquistas, os alunos puderam entender que a FESP oferece suporte para o desenvolvimento de uma carreira acadêmica de sucesso. “Pelo apoio da professora Odila, do professor Norival França, e de todos que trabalharam comigo, além de todo apoio logístico da FESP, consegui ter uma boa formação e ingressar em um mestrado”.

Na sua pesquisa, Douglas vai avaliar a influencia antrópica na diversidade e estrutura da comunidade de macroinvertebrados bentônicos em rios da bacia hidrográfica do médio Rio Grande. “Sobre os meus planos, continuam os mesmos: tornar um pesquisador. Quero acabar o mestrado e tentar ingressar no doutorado”, finaliza.

FONTE: Departamento de Comunicação e Marketing FESP/UEMG