Estudantes da primeira turma do Mestrado Profissional em Desenvolvimento Regional e Meio Ambiente da FESP protocolaram, nesta segunda-feira (11) na Câmara Municipal de Passos, um pedido para que as autoridades legislativas coloquem em discussão propostas de soluções para a mobilidade urbana no município de Passos. A ação faz parte do projeto: “PedalAR Passos”, criado pelo grupo com o objetivo de mobilizar a sociedade civil e os gestores públicos em prol da causa.

Desde maio deste ano, os estudantes estão realizando palestras educativas sobre o tema nas escolas de Passos para introduzir o debate entre os jovens e adolescentes. “O trabalho educativo foi realizado com 21 palestras, envolvendo aproximadamente 4 mil alunos e professores, e o tema despertou grande interesse pelas comunidades participantes, com questionamentos sobre o uso da bicicleta, a legislação pertinente, educação no trânsito e os tipos de soluções para mobilidade urbana, destacando entre elas a ciclovia, a ciclo-faixa, a ciclorrota e o espaço compartilhado. Os participantes foram alertados de que toda cidade acima de 20 mil habitantes, por legislação federal, deverá apresentar, até janeiro de 2015, o seu plano de mobilidade urbana. Além disso, os municípios que não cumprirem a legislação não estarão aptos a receber recursos destinados a este setor”, esclarece o mestrando Carlos Alberto Silva, professor da Rede Estadual de Ensino, em Passos. 

“Foi um trabalho muito interessante, pois a maioria dos alunos desconheciam alguns conceitos abordados, como o termo Mobilidade, as diferenças entre ciclovias, ciclofaixas e ciclorrotas. Sendo abordados os direitos e deveres do ciclista, de acordo com o Código de Trânsito Brasileiro, lembrando que a atividade exige atenção e até alguns equipamentos para garantir a segurança do ciclista. Ressaltado a importância da mudança de hábito para melhoria do trânsito nas cidades e para saúde dos usuários. Os jovens, com conhecimento dessas políticas públicas que devem ser implementadas, que são os agentes multiplicadores dessa ideia e devem ter conhecimento sobre o assunto para cobrar seus direitos”, alegou Maria José Reis, mestranda e arquiteta. 

Os estudantes da Escola Estadual Nazle Jabur, que participaram das palestras, destacaram as dificuldades que encontram para andar de bicicleta em Passos. “Eu já caí de bicicleta porque uma moto me fechou. Eu acho que tem muito carro, muita moto, muito caminhão. Deveria ter mais segurança”, avalia o estudante Álvaro Carvalho de Paula. “Precisava asfaltar mais os lugares, tirar os lixos e entulhos das ruas”, complementa outro aluno, Jorge Luís Lacerda.

Os estudantes da Escola Técnica de Passos também aprovaram a discussão sobre mobilidade urbana, enfatizando os aspectos que dificultam o uso da bicicleta no município, entre eles, a falta de locais adequados para estacionar bicicletas (bicicletários) e os buracos nas vias. “Não venho de bicicleta para escola porque ela fica em um lugar muito alto, mas por perto da minha casa eu costumo usar muito”, disse Fabio da Silva, estudante da Etep.

Atletas e grupos de ciclismos já manifestaram apoio ao programa que terá como ação continuada na fanpage Pedalar, através da rede social Facebook, para discussão do tema, compartilhamento de ideias e sugestões.

A mobilidade urbana em Passos

A cidade de Passos foi incluída no plano de mobilidade urbana do Governo Federal. O município apresentou, através da SOHU (Secretaria de Obras, Habitação e Serviços Urbanos), um projeto para criação de uma pista de caminhada e ciclovia na Avenida Arlindo Figueiredo, no entanto, pouco se avançou nas melhorias de mobilidade no município.

Para a mestranda e Engenheira Civil Sílvia Mota, os principais problemas relacionados à mobilidade urbana são: o aumento da quantidade de carros e motos; o fluxo de trânsito concentrado em pontos estratégicos, como centro, avenida da moda e saídas da cidade, com poucas rotas opcionais. “Como sugestão, poderíamos ter sinalização para rotas alternativas. Também faltam placas de orientação de destino e de serviços auxiliares e não há o devido respeito à sinalização de trânsito, principalmente, faixas de pedestre”, avalia.

O mestrando e arquiteto Ramon Moraes destaca também o fator cultural da mobilidade urbana. “Para chegarmos a uma cidade com mobilidade urbana precisamos analisar a cultura e as contradições sociais que implicam no resultado da implantação. Pois hoje temos uma cultura da mobilidade individual, ou seja, temos uma cidade mais preocupada em resolver os problemas do automóvel e é possível notar como Passos está se transformando para essa cultura. O que vemos no transporte público é que os ônibus são menores e os pontos de integração são insuficientes porque temos somente a rodoviária e o terminal Zé da Beca. Ou seja, para irmos de um ponto extremo da cidade a outro temos somente esses dois pontos de integração, os demais ficam nos pontos de ônibus comuns e isso prejudica a agilidade do transporte coletivo”, afirma.

Ainda na avaliação do arquiteto, as mudanças de sentido são soluções temporárias. “Temos uma perimetral que não está concluída, podendo integrar o bairro Nossa Senhora de Fátima até o Jardim Planalto, desafogando as vias de acesso local. Hoje temos uma série de alterações de mãos nas vias tentando ordenar o trânsito, o que pode até minimizar, porém, dentro de um curto tempo, pois é uma organização muito restritiva”, explica.

O grupo também chama a atenção para a importância da tomada de decisões focadas em propostas de mobilidade não simplesmente para oferecer lazer para a população alguns espaços para o ciclismo como prática esportiva. “O interessante em um projeto cicloviário é não focar somente no lazer, mas também como uma alternativa de transporte e mobilidade urbana. Outro ponto relevante é o fato da cidade estar com políticas de crescimento horizontal, acarretando maior dispersão da população. No momento, era importante o incentivo da verticalização, fatores que podem contribuir ainda mais com a mobilidade”, ressalta o arquiteto Ramon Moraes.

Como fatores relevantes que precisam ser aprofundados para um debate sobre mobilidade urbana destacam-se: a consciência da população com relação ao uso do automóvel; as políticas de verticalização, adensamento e uso das propriedades para fim social na área central urbanizada (ter utilidade); e, consequentemente o “andar a pé”; incentivo do uso do transporte coletivo e pontos de integração para maior agilidade; nos horários de pico, a utilização de ônibus maiores; transportes alternativos, como bicicletas, e ciclovias para mobilidade e não somente para lazer; desenho de vias públicas facilitando a locomoção e ligação entre bairros; menos restrição de uso das vias; anéis viários e/ou perimetrais. 

O Caráter Conta apoia campanha Pedalar

A professora Lucimar Cristina da Silva, professora e coordenadora do Projeto o Caráter Conta, que desenvolve ações educativas com jovens e adolescentes de Passos e região, através de uma parceria internacional, manifestou apoio ao grupo de estudantes da FESP e frisou a importância do trabalho educativo para busca de soluções para demandas sociais, como é o caso do trânsito. “Eu tenho observado nas ruas que Passos precisa melhorar a educação no trânsito, porque tudo começa pela educação, cada um precisa pensar e enxergar o seu papel. É pela Educação que se começa a mudar uma sociedade”. 

A professora também chamou a atenção para a força da juventude na tomada de decisões. “Se o jovem soubesse o poder, a força que ele tem, nossa sociedade já estaria bem melhor, por isso temos de motivar e estimular esses jovens através da educação”, afirma.

FONTE: Departamento de Comunicação e Marketing FESP/UEMG



Foi divulgada a lista dos aprovados para o primeiro Mestrado Profissional da Fundação de Ensino Superior de Passos (FESP). O processo seletivo, o qual envolveu a análise do pré-projeto, análise de currículo e entrevista, selecionou os 15 candidatos que começam o curso nesta sexta-feira (04).

O diretor de Pós-Graduação, Pesquisa e Extensão da FESP disse que o Mestrado em Desenvolvimento Regional e Meio Ambiente, que já recebeu a recomendação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), é uma oportunidade de estender o alcance da pesquisa científica no meio acadêmico. “Nas entrevistas conhecemos melhor os candidatos e pudemos ver que formam um grupo promissor, pois muitos deles são experientes em suas áreas de atuação. Acreditamos que juntos poderemos desenvolver ótimos trabalhos e contribuir para o avanço científico e para o desenvolvimento regional”, defendeu o professor Eduardo Goulart Collares.

O curso será iniciado nesta sexta-feira (04) com a realização de um Workshop, onde os professores pesquisadores do mestrado vão apresentar os seus projetos e as propostas futuras de trabalhos para os alunos aprovados. “Será um momento de interação e diálogo entre professores e os novos alunos”, justificou a coordenadora da nova modalidade disponibilizada na FESP, professora Dra. Rita de Cássia Ribeiro Carvalho.

O Mestrado tem duração estimada de 2 anos, sendo o primeiro ano dedicado às disciplinas e o segundo ao desenvolvimento da pesquisa.

Os aprovados devem fazer matrícula nos dias 03 e 04 de abril e, no caso da existência de vagas remanescentes será realizada uma 2ª chamada.

O Mestrado Profissional 

No final de 2013, a FESP recebeu a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoa de Nível Superior (CAPES) e teve como aprovada a proposta do Mestrado em Desenvolvimento Regional e Meio Ambiente. Na avaliação, os representantes da CAPES destacaram o comprometimento e a infraestrutura da FESP; a dimensão e regime de trabalho dos docentes com doutorado e experiência em orientação; e a alta produtividade em relação à pesquisa e extensão.

De acordo com a ementa, o curso com titulação em Desenvolvimento Regional e Meio Ambiente tem o propósito de formar mestres com consciência crítica e capazes de compreender a relação entre ciência, sociedade, natureza e desenvolvimento econômico. Sendo estes profissionais capazes de elaborar, acompanhar e avaliar planos de gestão pública e privada com propósitos de desenvolvimento sustentável e de preservação ambiental, bem como realizar diagnósticos e prognósticos das inter-relações entre as atividades antrópicas e os meios físico e biótico. Deverão ser capazes, também, de desenvolver e aplicar técnicas agro-sustentáveis que contribuam para melhorias na produção agropecuária regional.

Como ainda detalhou o diretor Eduardo Collares, o Mestrado Profissional é exatamente igual ao Mestrado Acadêmico em relação à titulação. “A diferença é que o primeiro é mais direcionado aos profissionais que estão atuando no mercado. Este Mestrado tem por objetivo formar pessoas para trabalharem dentro das novas políticas públicas que estão em vigor no país, como o Estatuto da Cidade, a Política Nacional de Recursos Hídricos e, mais recentemente a Política Nacional de Saneamento de Resíduos e de Sólidos, por exemplo. Outro foco está voltado ao setor privado e envolve novas tecnologias para serem aplicadas no planejamento urbano e no desenvolvimento rural sustentável”, reforça.

Consulte a lista de aprovados AQUI.



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