A professora Tayara Talita Lemos, docente do curso de Direito da FESP concluiu mestrado em julho do ano passado, na UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e já foi aprovada no Doutorado, na mesma universidade. A dissertação intitulada "Direito como Fundação e Constituição como Promessa: um diálogo com Hannah Arendt" foi apresentada à banca composta pelos professores doutores Renato César Cardoso, Theresa Calvet de Magalhães, Bernardo Gonçalves Fernandes e Marcelo Andrade Cattoni. “A ideia de Hannah Arendt sobre o assunto pauta-se no fato de que modernidade faz com o homem adote padrões de liberdades muito mais vinculados ao consumo e à técnica do que à política. O cidadão é mais indivíduo do que cidadão e preocupa-se mais com interesses privados do que públicos”, ressalta a professora.

O estudo aborda a carência de legitimidade do Direito pelo esquecimento da política. Segundo a professora, na medida em que os cidadãos deixam de agir no espaço público, por meio de mecanismos de democracia participativa, deixam, consequentemente, de participar das tomadas de decisões políticas do Estado, o que deslegitima o Direito, já que os interesses públicos são desprivilegiados em razão de interesses privados. “Assim, leis, políticas públicas, decisões políticas passam a se dar em consequência de interesses de classes menores, interesses privados”, explica.

O doutorado vai dar continuidade à pesquisa com projeto de tese sob o título: "Estado de Exceção, Justiça de Transição e a profanação do Direito: uma possibilidade de construção da democracia". “O Direito apenas pode ser legitimado pelo poder dos homens no espaço público, já que é mecanismo de defesa do Estado Democrático e não pode estar nas mãos de alguns poucos, mas deve ser tomado por todos”, ressalta. 

O processo seletivo da UFMG, composto por 4 fases (idiomas, projeto, prova dissertativa e prova oral), começou em dezembro e terminou na semana passada, dia 21 de fevereiro, quando saiu a aprovação em primeiro lugar para a linha de pesquisa "Reconstrução discursiva dos direitos humanos".

O projeto visa demonstrar que há um estado de exceção permanente no Brasil pós-Constituição de 1988, como resquício da ditadura, e que se manifesta por meio da suspensão constante de direitos fundamentais no espaço público.

Para a coordenadora do curso de Direito da FESP, Ana Paula Coelho, a rapidez com que a professora passou do mestrado ao doutorado serve de estímulo para professores e alunos. “Foi extremamente surpreendente porque normalmente esses processos de seleção costumam ser mais demorados. A Tayara é uma professora muito jovem, mas com grande profundidade de conhecimento e seriedade profissional.

Para nós da FESP é um grande exemplo tanto para os colegas de profissão que enxergam a importância da qualificação constante quanto para os alunos, que veem no exemplo a possibilidade de crescer também”, avalia a coordenadora. 

FONTE: Departamento de Comunicação e Marketing FESP/UEMG



O desafio é sem fronteiras, alunos da FESP que estudam no exterior comprovam a eficiência do Programa Ciência sem Fronteiras. Os estudantes apresentam resultados surpreendentes na atuação acadêmica em instituições internacionais e desenvolvem suas graduações com trabalhos extracurriculares, estágios e atividades complementares que serão de extrema relevância para a formação acadêmica dos alunos. 

A FESP/UEMG associada ao Programa CsF possui quatro alunos dos cursos de Engenharia Ambiental, Enfermagem e Sistemas de Informação, que estudam no exterior. As bolsas de estudo no exterior têm como objetivo fortalecer e expandir as iniciativas em ciência, tecnologia, inovação e competitividade através da mobilidade internacional dos estudantes.

Os alunos que vivem no exterior relatam situações importantes que servirá como exemplo para outros que tenham interesse em ingressar nos editais publicados pela instituição através do programa. 

Eridano Valim dos Santos Maia, estudante do curso de Engenharia Ambiental da FESP / UEMG, está cursando graduação na Universidade Americana Bowling Green State University. Para Eridano, o primeiro semestre foi dedicado as aulas intensivas de inglês e na graduação de seu curso.  Após alguns meses de muita prática, comenta estar mais confortável e seguro para conversar com as pessoas. Hoje o nível do seu inglês melhorou bastante. Explica também que os professores são muito compreensíveis e estão sempre dispostos a ajudar, principalmente quando o estudante é estrangeiro. Detalha que o alojamento estudantil onde mora é adequado e divide o quarto com outro aluno americano. Para o próximo semestre Eridano avalia a possibilidade de mudar para um dormitório com mais infraestrutura. A cidade onde mora é Bowling Green em Ohio, nos Estados Unidos.

Outra aluna da FESP que vive no exterior através do programa é Thaís Soares Elorde, estudante do curso de Enfermagem da FESP / UEMG, mora na cidade de Faro / Portugal, cursa graduação na Universidade do Algarve. A aluna já desenvolveu um trabalho de pesquisa científica, na disciplina “Saúde Materna”, juntamente com a professora, Maria José Gouveia, de Portugal e juntas irão tentar publicar o artigo produziram no Brasil, na Revista Brasileira de Enfermagem, se não conseguirem irão publicar em Portugal mesmo.  Em janeiro de 2012 também apresentou um pôster sobre mastectomia e amamentação: mitos e verdades, no Congresso Internacional em Beja. A aluna este semestre de 2013 iniciará um estágio no Hospital de saúde materna e obstetrícia, no Hospital Psiquiátrico e Centro de saúde de Faro. Realizou atividades extracurriculares como participação em Workshop sobre queimaduras, úlceras de pressão e cicatrizes na cidade de Porto e participação em Congressos Internacionais nas cidades de Porto e Coimbra. Thaís divide um apartamento com mais duas brasileiras que chegaram ao país através do Programa Ciência Sem Fronteiras, elas são do estado de São Paulo. O prazo de término da graduação no exterior está marcado para final de Julho de 2013.  O relato da aluna expressa a saudade que sente do Brasil, “adaptei-me muito bem aqui, quando cheguei tudo parecia diferente e o que mais sinto falta é da comida brasileira. No começo foi mais difícil, estranhei um pouco as primeiras aulas e o sotaque dos professores. Mas até agora não tive nenhuma dificuldade, todos da Universidade são muitos compreensivos e estão sempre procurando me ajudar”.

A aluna do Curso de Sistemas da Informação da FESP / UEMG  é Marina Rejane de Lima, estuda na Universidade de Coimbra, na cidade de Coimbra, Portugal. Realiza atividades práticas em laboratórios e visitas técnicas. A maioria das matérias que estuda possui 2h de aulas teóricas, 2h de aulas práticas e 2h de aulas práticas laboratoriais. Ao citar as atividades extracurriculares a aluna comenta uma curiosidade, é regra na universidade de Coimbra, se houver apenas um aluno dentro de sala que não fale o idioma “português”, a aula deverá ser ministrada em inglês e isso acontece com muita frequência. Atualmente a aluna divide apartamento com quatro meninas estudantes, duas mineiras, uma paranaense e a outra italiana. Convivem muito bem e diz aprender muito sobre diferentes culturas e hábitos. Ao chegar ao país descreve que foi preciso escolher quais disciplinas iria cursar, para isso contou com o apoio de uma Coordenadora da universidade, no entanto, ela apenas apontou quais seriam as matéria e aplicou o plano de estudos. Relata que teve dificuldades em uma disciplina onde necessitava conhecimentos e aptidões, o horário da grade acadêmica ficou superlotado, estudava das 11h00 da manhã até às 20h00 da noite, e em diferentes polos da universidade, dependo de ônibus para locomoção, sendo assim, eliminou a matéria. Comenta também dificuldades com os grupos de estudos, pois tinham maneiras diferentes de realizar as tarefas. Contudo, os professores são bem compreensivos e já estão acostumados com o jeitinho dos brasileiros. Marina relata que ao chegar conheceu rapidamente muitas pessoas, na cidade de Coimbra possui muito brasileiros morando e estudando, o que tornou mais fácil a adaptação. Explica que no começo das aulas teve um pouco de dificuldade com o sotaque do idioma português de Portugal, mas hoje já consegue perceber bem as aulas. Adaptou muito bem ao local.

Jéssica Karyane da Silva é estudante do curso de Engenharia Ambiental da FESP / UEMG e cursa graduação na University of the Fraser Valley, na cidade de Abbotsford, província de Britsh Columbia, no Canadá, a cidade está a 40 minutos de Vancouver. Ao chegar ao país à aluna relata alguns desafios que foram superados. O primeiro desafio foi à falta de proximidade com o idioma inglês. No inicio as atividades cotidianas eram desafiadoras. O segundo foi à alimentação repleta de muitos lanches gordurosos, batata frita e omelete. O terceiro e mais difícil foi à didática de ensino Canadense, comenta que ao contrário do Brasil, onde os alunos podem cursar entre 7 a 9 disciplinas por semestre, no Canadá o máximo de disciplinas a cursar por semestre são 4 chegando até 5 disciplinas, mas não é aconselhado pelos professores. Isso ocorre porque o objetivo é que os alunos façam poucas disciplinas, mas que as façam com dedicação. O fator que ocasionou problemas de adaptação foi à quantidade de “homework” (trabalhos em casa).  A meta, segundo os professores é que para cada hora de aula oferecida, o aluno teria o dobro de horas de “homework” para fazer. Jéssica comenta que este método a assustou muito no começo, porque não era acostumada com esse tipo de rotina no Brasil. Hoje entende este método como a melhor forma de aprender. Jéssica mora atualmente em residência universitária e divide o apartamento com uma chinesa.  Devido à dedicação e desempenho a aluna foi convidada a estender sua graduação até dezembro de 2013, sendo que a mesma finalizaria suas atividades em julho de 2013. 

O Programa Ciência sem Fronteiras prevê a utilização de até 101 mil bolsas em quatro anos para promover intercâmbio, de forma que alunos de graduação e pós-graduação façam estágio no exterior com a finalidade de manter contato com sistemas educacionais competitivos em relação à tecnologia e inovação. Além disso, buscam atrair pesquisadores do exterior que queiram se fixar no Brasil ou estabelecer parcerias com os pesquisadores brasileiros nas áreas prioritárias definidas no programa, bem como criar oportunidades para que pesquisadores de empresas recebam treinamento especializado no exterior.

A Coordenadora de Pesquisa e Extensão da FESP e responsável pelo Programa Ciência sem Fronteiras na instituição, Marisa da Silva Lemos, comenta que através do acompanhamento dos alunos da FESP no exterior, que realiza semestralmente, percebe-se o amadurecimento dos alunos, no nível de aprendizado, profissionalismo e vida pessoal. Nossos alunos estão vivenciando oportunidades únicas no exterior. Gostaria que estes relatos servissem de incentivo aos alunos na nossa instituição FESP, pois este sonho pode estar mais perto do se pensa.

FONTE: COORDENAÇÃO DE PESQUISA E EXTENSÃO DA FESP - CPEX



O Ministério da Educação certifica unificação das 11 faculdades mantidas pela FESP em apenas uma. A unificação foi aprovada através da Portaria 310, de 27 de dezembro de 2012 publicada no Diário Oficial da União e ratifica a responsabilidade integral da FESP pelos seus 23 cursos em funcionamento, garantindo a manutenção da qualidade de todos os registros acadêmicos, sem prejuízo para os alunos regularmente matriculados. Com a unificação, passam a se chamar “Faculdades Integradas do Sudoeste Mineiro”, mas mantêm como nome fantasia a sigla da mantenedora “FESP”.

De acordo com o presidente do Conselho Curador, Professor Fabio Pimenta Esper Kallas, a unificação das faculdades da FESP como Faculdades Integradas é um grande passo, pois com essa ação otimiza-se a gestão, reunindo em um mesmo conjunto de nomes todo o processo acadêmico e administrativo. “Com esta ação temos a melhoria do ensino-aprendizagem e em recursos humanos. Ganhamos agilidade em todos os sentidos, uma vez que unificação simplifica os procedimentos do dia-a-dia na escola. Essa mudança é um grande avanço no desenvolvimento da FESP, uma vez que está mais alinhada às exigências do MEC e do mercado".

O presidente afirma ainda que a unificação favorece o grande número de pesquisas e projetos de extensão e a excelência dos cursos que certificam o trabalho acadêmico desenvolvido pelo corpo docente e discente e hoje colocam a FESP entre as melhores universidades de Minas Gerais.

A modificação também facilita os trâmites acadêmicos, cujas regras pedagógicas seguirão um único regimento. “Até então, existia um regimento para cada faculdade, o que representava diferenças de regras pedagógicas entre os cursos. Esta unificação torna comum a vida acadêmica de todos os alunos da FESP e acaba com as diferenças”, explica a Assessora Educacional da FESP, professora Doutora Maria Ambrosina Cardoso Maia.

O processo de mudança começou em 2008, quando houve a migração para o MEC e a necessidade de adequação às exigências do sistema, conforme ADIN 2501. A partir daí houve a revisão do regimento interno da instituição que envolveu dezenas de profissionais. Segundo o diretor executivo da FESP, Dácio Lemos "foi um competente trabalho de equipe entre nossos funcionários técnico-administrativos, docentes e direção, que culminou em um moderno sistema de gestão de pessoas e processos, que já está economizando tempo e dinheiro para a instituição".

De acordo com o novo regimento, os 23 cursos da FESP ficam distribuídos nas áreas de Núcleos Acadêmicos, assim denominados: Núcleo Acadêmico de Ciências Humanas e Ciências Sociais Aplicadas; Núcleo Acadêmico de Ciências Biomédicas e da Saúde; Núcleo Acadêmico de Educação; Núcleo Acadêmico de Tecnologia e Engenharia e Núcleo Acadêmico de Pós-Graduação, Pesquisa e Extensão.

Como era: Faculdade de Filosofia de Passos, Faculdade de Engenharia de Passos, Faculdade de Comunicação Social de Passos, Faculdade de Nutrição de Passos, Faculdade de Informática de Passos, Faculdade de Enfermagem e Obstetrícia de Passos, Faculdade de Direito de Passos, e Faculdade de Administração de Passos, cada uma com seu regimento e prática pedagógica diferentes.

Nome: FESP/UEMG

Como ficou: Faculdades Integradas do Sudoeste Mineiro, com regimento e prática pedagógica unificada.

Nome: FESP - Fundação Associada a UEMG - Lei n° 18.384/2009

 

FONTE: Departamento de Comunicação e Marketing FESP/UEMG



Morreu na última quarta-feira, aos 60 anos, o médico dermatologista e professor da Fundação de Ensino Superior de Passos, Carlos Alberto Faria Rodrigues, um dos maiores nomes da luta contra a Hanseníase em Minas Gerais e no Brasil. Funcionário da FESP e da Secretaria de Estado da Saúde, foi fundador e coordenador do Núcleo de Assistência, Ensino e Pesquisas em Hanseníase (NAEPH), e também do Portal da Hanseníase, site pioneiro na divulgação de informações sobre a doença. O Núcleo da FESP leva o nome do médico.

O presidente do Conselho Curador Professor Fabio Pimenta Esper Kallas, lamentou a perda salientando que mais que um grande médico e amigo, Carlos Alberto era um grande cidadão. “A história do tratamento da hanseníase em Passos é dividida em antes e depois de Doutor Carlos Alberto Faria Rodrigues. Somos privilegiados por termos convivido com uma pessoa como ele que amou a profissão, amou o trabalho que desenvolvia, mas mais que isso, amou sem limite as pessoas”, declarou Fabio.

O dermatologista foi um dos pioneiros no tratamento humanizado aos hansenianos no Brasil e desenvolveu grande parte deste trabalho em Passos e região. Ele chegou a Passos no início dos anos 80, para participar de palestras sobre a hanseníase e depois para integrar a equipe do Posto de Saúde do município. “Ele trouxe muitas ideias e nós as abraçamos, foi um ganho muito grande para a cidade porque além de muito competente no diagnóstico e tratamento ele sempre foi muito preocupado com o aspecto social da doença”, afirma José Hernani da Silveira, secretário de saúde da época. 

Pouco tempo depois ele também passou a fazer parte do corpo docente da Faculdade de Enfermagem de Passos, que iniciava sua primeira turma. “Como professor ele sempre ousou nas iniciativas e na forma de envolver os alunos em campanhas de esclarecimento sobre a hanseníase”, afirma a diretora de Núcleo Acadêmico de Ciências Biomédicas e da Saúde, Profª Tânia Maria Delfraro Carmo.

Seu currículo contabiliza mais de sessenta participações em palestras e cursos, sempre levando o conhecimento e desestigmatizando a hanseníase por todo o país. Na FESP ele coordenou o Núcleo de Assistência, Ensino e Pesquisas em Hanseníase (NAEPH) e o Portal da Hanseníase que viabilizou a capacitação de profissionais de saúde de todo o Brasil e até de outros países. 

A enfermeira Lais da Silva Moreira estudou na FESP e desde o primeiro ano da faculdade trabalhou no departamento de hanseníase. Ela conta que por quatro anos acompanhou o trabalho do Dr. Carlos. Lais era responsável pelo abastecimento do site "Portal da Hanseniase". Entrou como estagiária e ficou até o último período em dezembro de 2012. “O Dr. Carlos foi simplesmente a pessoa mais humana e apaixonada pela hanseníase que eu conheci. Ele fazia com que seus pacientes, sentissem mais valorização e mais amor por si mesmos e eu sempre o vi lutar contra o preconceito e sempre dizia que a hanseníase não trás dinheiro, mas trás orgulho. Ele foi para mim um segundo pai e meu melhor amigo. Foi ele que me ensinou o que sou hoje. Me ensinou a amar a hanseníase e a ele agradeço por tudo”, declarou emocionada Laís. 

O coordenador do Centro Vocacional Tecnológico da FESP, professor José de Paula Silva ressaltou a importância do trabalho do dermatologista para que Passos integrasse o Programa Rede Universitária de Telemedicina (Rede Rute). “Ele propôs que em 2012 se criasse um grupo especial de interesse em Hanseníase e utilizássemos a rede CVT como propagadora do conhecimento sobre a hanseníase em Minas Gerais. Assim nasceu o projeto REDE RUTE e CVT. Podemos agora levar a ciência a todos os cantos de Minas Gerais através da rede CVT/UAITEC - Rede Rute” relata o colega.

Também é do dermatologista Carlos Alberto Faria Rodrigues o mérito de ter colocado Passos entre as três primeiras cidades do país a oferecer o tratamento completo contra a hanseníase, a multidrogaterapia, utilizada até hoje. “Em 1986, o Ministério da Saúde implantou o tratamento em apenas duas cidades de Minas e o doutor Carlos deu um jeito de trazer também para Passos. Segundo ele, essa foi uma de suas “loucuras que deram certo”, lembra com carinho a professora Maria Ambrosina Cardoso Maia. 

Antes da chegada do dermatologista atendimento era feito através de janela

Quando chegou a Passos, no início da década de 80, os “leprosos” (como eram tratados os portadores de hanseníase) eram atendidos sem qualquer tipo de contato com os médicos, através de uma janela. Ao ser integrado ao corpo clínico que atendia o município, ele mandou fechar a janela. “Ele começou a pegar os doentes pelas mãos, mostrar aos outros que o contato não era tão perigoso quanto todos pensavam”, relata a professora Maria Ambrosina Cardoso Maia, enfermeira referência técnica em Hanseníase da Superintendência Regional de Saúde de Passos e professora da FESP. 

Ambrosina foi aluna do dermatologista, na primeira turma de enfermagem da FESP, e participou com ele das campanhas inovadoras de esclarecimento sobre a doença. “Ele mudou tudo. Nós saíamos pelos bairros da cidade, em carroças, levando panfletos e fazendo barulho com batuques para convidar a população para palestras de esclarecimento. Na época, ninguém sabia nem o que era a palavra hanseníase, só se usava a expressão lepra”, recorda a professora. 

Repercussão nacional

A morte do dermatologista repercutiu entre profissionais ligados à área da saúde em todo o país. Através de redes sociais, emails e telefonemas, chegaram durante os últimos dois dias centenas de manifestações de gratidão e pesar, pela perda do ícone da luta contra a hanseníase. 

A Superintendência Regional de Saúde de Passos encaminhou nota lamentando a perda do “colega e amigo, que muito contribuiu com seu trabalho para a melhoria de vida dos cidadãos de nossa região”.

A coordenadora do Programa Nacional de Controle da Hanseníase, do Ministério da Saúde, Maria Aparecida de Faria Grossi, também enviou suas condolências: “A ele, os nossos sinceros agradecimentos por mais de três décadas de dedicação às pessoas com hanseníase e suas sequelas. À família, o nosso abraço e nosso carinho neste momento de dor. A Deus que é Pai, que o acolha em seus braços com ternura”.

Do Rio de Janeiro, a professora do Serviço de Dermatologia da UFRJ Maria Leide W. de Oliveira, lamentou a morte de Dr. Carlos: “Minha grande admiração por esse colega tão comprometido com o ensino e trabalho em prol do controle da hanseníase. Fica uma lacuna não apenas em Minas Gerais, mas no programa brasileiro de controle da hanseníase. E muito mais, no círculo afetivo das pessoas, que como eu, partilharam momentos de trocas em diferentes situações, com um ser tão humanitário como Carlos Alberto, como por exemplo, nas conversas entre as refeições, durante viagens de trabalho, sempre tão prestativo e animado. É uma lembrança que irá me animar para continuar nosso trabalho”.

Pelo facebook, o Coordenador Nacional do Morhan, Movimento de Reintegração das Vítimas da Hanseníase, Artur Custódio registrou: “Toda a família do Morhan sentirá sua falta física, grande professor, grande profissional, grande ser humano. O país e a sociedade brasileira te deve muito!”

Também no facebook, integrantes do projeto “Franciscanos pela Eliminação da Hanseníase” enviaram: “Agradecemos ao Prof. Dr. Carlos Alberto Faria Rodrigues pelo incentivo e pelos seus ensinamentos, não só com os profissionais da saúde, mas para a população brasileira”.

FONTE: Departamento de Comunicação e Marketing FESP/UEMG



“Todo mundo já teve hanseníase pelo menos uma vez na vida e se curou sozinho sem saber. Eu, você, todo mundo mesmo”. A declaração realista do dermatologista Carlos Alberto Faria Rodrigues, sorrindo como se estivesse falando de uma verruga no braço, surpreendia e tranquilizava o interlocutor leigo sobre a doença.  “O tratamento da hanseníase é simples, indolor e gratuito”, continuava pacientemente o especialista professor.

Com um sorriso suave e terno, ele tranquilizava pessoas, levava palavras de conforto, e, sobretudo de esclarecimento.

Dermatologista atuante da Secretaria de Estado da Saúde de Minas Gerais, Doutor Carlos foi fundador e coordenador do Núcleo de Assistência e Ensino em Pesquisas em Hanseníase (NAEPH) da FESP, que leva seu nome,  e também do Portal da Hanseníase, através do qual promoveu uma grande rede de divulgação sobre a doença, com a integração e capacitação de profissionais de todos os continentes.

Seu trabalho ajudou no combate à doença, e, sobretudo, no combate à ignorância, que por séculos provocou sofrimento e morte mundo afora. 

Quantos de nós não tivemos medo de pegar notas de dinheiro ou objetos das mãos de pessoas mutiladas pela lepra, simplesmente por falta de informação sobre as formas de contágio?

Por este motivo, não é presunção afirmar que Doutor Carlos foi uma luz para os que sofriam as trevas do preconceito.  

Com um profissionalismo de excelência, ele empreendeu na FESP, o atendimento gratuito à população, tanto no tratamento quanto na prevenção à doença, tornando-nos um ponto de referência para todo o país, com ações ousadas e integradas ao movimento nacional de combate à doença.

Fez contatos, promoveu a integração de profissionais e trouxe a Passos - em um exemplo importante de sua atuação - a carreta do MORHAN, o Movimento de Reintegração das pessoas atingidas pela Hanseníase.

Em suas mais recentes investidas em favor das vítimas da hanseníase, Doutor Carlos viabilizou, através do curso de Direito da FESP, a assessoria jurídica gratuita para garantir indenização às pessoas que, de alguma forma, foram prejudicadas pelo da antiga “lepra”.

O nome do dermatologista é referência em todo o país e seus mais de trinta anos dedicados à Medicina lhe renderam muitas homenagens, uma das últimas foi conferida pela Academia Brasileira de Dermatologia, durante o VII Congresso da Academia Brasileira de Dermatologia. 

Nós da família FESP perdemos um grande amigo, um colega de trabalho que muito nos honrou com seu comprometimento, ética e competência e o Estado de Minas Gerais e todo o país perderam um dos seus maiores ícones da luta contra a Hanseníase.

Como o ciclo natural da vida segue à revelia de nossos anseios, resta-nos, portanto, a saudade e a gratidão eternas e ainda o difícil legado de cultivar todas sementes de esperança e conhecimento espalhadas por Carlos Alberto Faria Rodrigues, nosso Doutor do Portal da Hanseníase.   

 

Professor Fabio Pimenta Esper Kallas

Presidente do Conselho Curador da FESP

FONTE: Departamento de Comunicação e Marketing FESP/UEMG



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